“É preciso errar muito para encontrar o modelo de negócio sustentável”

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Foto: Victor Sena

O modelo de negócio mais adequado para uma organização de jornalismo investigativo depende de suas características e objetivos.

Para Reg Chua, editor de dados e inovação na Thomson Reuters, Sheila Coronel, do  Centro Filipino de Jornalismo Investigativo (PCIJ) e Charles Lewis, diretor do Investigative Reporting Workshop, da American University School of Communication, neste ramo ainda não existe uma fórmula ideal para financiar projetos sem fins lucrativos.

Os jornalistas estiveram juntos, neste sábado (12), na mesa “O Jornalismo Investigativo como Negócio: Que Modelos Funcionam?”, mediada por Kevin Davis, diretor-executivo da Investigative News Network (INN), que integra a programação da Conferência Global de Jornalismo Investigativo, realizada na PUCRJ até terça (15).

Os três concordam que as novas organizações precisam experimentar diferentes meios de financiamento até encontrar as formas mais apropriadas ao seu projeto. Para captar recursos, ressaltam, é fundamental definir o tipo de conteúdo jornalístico que se pretende produzir e deixar claro para o público quem financia as investigações.

Chua afirmou que são poucas as organizações jornalísticas que dispõem de modelos de negócio adequados: “é preciso pensar a longo prazo e saber quais são as suas vantagens competitivas. Recomendou também não buscar formas de financiamento bem-sucedidas utilizadas por outras instituições que se encontram em posições privilegiadas.

Chu afirma que o público deve definir o tipo de conteúdo jornalístico a ser produzido: “As pessoas querem receber o conteúdo em todos os formatos de mídia e que o jornalista facilite o acesso aos dados. Ele disse que o importante é garantir uma produção regular de conteúdo relevante.

Kevin Davis destacou os principais tipos de financiamento de organizações jornalísticas sem fins lucrativos: o direto, no qual o público paga pelo conteúdo ou faz doações; o indireto, em que há grande patrocinadores, como fundações filantrópicas; e auxiliar, quando a organização jornalística vende outros serviços, como debates e seminários.

Para Davis, a existência de diferentes modelos de negócios reflete a diversidade dessas organizações e indica que o jornalismo sem fins lucrativos vive uma transição econômica.

O jornalista recomenda diversificar ao máximo as fontes de recursos, minimizando os riscos da dependência de um único financiador, e deduzir doações de impostos de renda.

Já Charles Lewis chamou a atenção para crescimento do setor de jornalismo sem fins lucrativos nos últimos anos. “Nenhum dos modelos de negócios é uma panaceia, mas são alternativas que sequer existiam há dez anos”.

O diretor do Investigative Reporting Workshop lembrou que, até a década de 1990, o jornalismo investigativo sempre foi custeado pela publicidade nas grandes publicações cujo foco não são as informações de interesse público. “O jornalismo investigativo nunca foi uma prioridade da mídia tradicional”, afirmou, acrescentando que grande parte do bom jornalismo praticado recentemente foi trabalho de instituições independentes.

Lewis acredita que haverá cada vez colaboração entre as empresas tradicionais e as iniciativas independentes de jornalismo.

Sheila Coronel destacou que em muitos países pequenos existe uma desconfiança em relação aos patrocinadores das organizações de jornalismo investigativo: “A maioria interpreta o apoio de fundações filantrópicas internacionais como uma estratégia de dominação de potências econômicas.”

Coronel afirmou que é preciso ser transparente quanto aos financiadores da organização jornalística, mas ressaltou que alguns apoiadores podem vir a ser ameaçados por contrariar interesses poderosos. Por fim, contou que o PCIJ, para se financiar, já vendeu até camisetas e que hoje oferece programas de treinamento de jornalismo investigativo para empresas da grande mídia local. “É necessário tentar tudo: não há uma solução única como a publicidade era no modelo tradicional da mídia.”

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