Três perguntas para Eliane Brum sobre a importância de biografias

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A jornalista Eliane Brum assiste a discussão sobre biografias.

A jornalista Eliane Brum* assistiu à mesa “Marighella e Vlado Herzog: Biografias de verdade”, que aconteceu nesta segunda-feira (14).  Ao final do debate, Eliane respondeu a três perguntas sobre a importância de se contar histórias e afirmou: “Ser repórter é um ato de resistência cotidiana”.

Entre as várias palestras que estão acontecendo hoje de manhã, você escolheu estar aqui. Por que?
Primeiro porque é o Audálio Dantas. Além de um grande repórter, ele é também a história de um importante pedaço da reportagem desse país. E o Mário Magalhães é um grande repórter, fez uma biografia extraordinária, de um rigor, de uma competência e um texto excelentes. Então, eu vim aprender!

Tinham várias mesas que eu gostaria de ir nesse horário. Esse é um bom problema dos congressos da Abraji porque a gente tem várias coisas boas ao mesmo tempo e tem que fazer uma escolha, que sempre implica em uma perda e um ganho. Então, tinham várias mesas que eu queria assistir nesse horário, mas, para mim, não tem nada mais estimulante do que ouvir dois grandes repórteres. Então eu vim aprender. E aprendi.

E o que mais te interessou nessa mesa?
É difícil escolher, eu achei muito bom esse debate. Tem a história muito importante de que os dois [Mário e Audálio] trabalharam com pessoas que foram assassinadas pelo Estado durante a ditadura militar. Foi importante o Audálio ter lembrado que todos os dias pessoas são torturadas e assassinadas. Em geral, na maioria das vezes, negros e pobres desse país. E o Mário ter lembrando muito precisamente do caso do Amarildo, fazendo essa ponte que eu acho que é realmente muito importante.

A gente precisa se dar conta que estamos discutindo uma grande questão do país. Não é, como ele disse bem, uma questão de jornalistas. É uma questão do país, de poder contar a nossa história. E, se hoje alguém quisesse fazer uma biografia sobre o major Edson Santos, da UPP onde o Amarildo despareceu, a gente não poderia. E hoje, como o Mário lembrou e sempre lembra no blog dele, faz três meses que ele desapareceu. É sempre bom lembrar, como eles fizeram, dos entulhos autoritários que a gente tem na nossa democracia.

E como nós, jornalistas, devemos agir quando um país dito democrático, age como censurador?
Resistindo e contando a história. Ser repórter é um ato de resistência cotidiana e a maior resposta que a gente pode dar é para construção de uma mudança, é contando a história. A gente tem que insistir em continuar contando histórias, da forma mais plural possível. Em um país tão desigual como é o Brasil, incluindo cada vez mais vozes nessa história, mais narrativas. Especialmente as pessoas que ainda não têm voz e que ainda são invisíveis. O nosso ato de resistência é contar a história.

* A ex-colunista da Época, escritora e documentarista Eliane Brum também já havia participado de outra mesa, como palestrante.

Texto: Louise Rodrigues (4° ano, ECO/UFRJ)

Foto: Giulia Afiune

Serviço:

Marighella e Vlado Herozg: Biografias da Verdade

Com Mário Magalhães (UOL/Brasil) e Audálio Dantas — mediação de Aziz Filho (O Dia/Brasil)

Segunda, 14 de outubro de 2013 – 11:00

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