Cobertura internacional deve ir além das agências de notícias, afirma Cláudia Antunes

 

Coordenador de Comunicação da PUC-Rio, Leonel Aguiar, e a jornalista Claudia Antunes

Com todos os lugares do auditório ocupados, a editora da revista Piauí Claudia Antunes discutiu como a editoria internacional no Brasil é pautada pelas manchetes dos grandes jornais estrangeiros. Seria culpa da facilidade de acesso a informações de agências de notícias ou da falta de concorrência devido à grande concentração midiática e à prevalência de um viés ideológico? Durante a mesa “Cobertura Internacional no Brasil: hora de construir uma agenda própria?”, a jornalista analisou os fatores que influem nesta editoria, na qual possui uma experiência de mais de 20 anos.

As informações de agências de notícias são amplamente utilizadas por jornais, elas possuem “braços” espalhados por vários lugares do mundo, diferentemente dos semanários nacionais. Contudo, Claudia não considera que esta deva ser a fonte primordial da cobertura internacional. “As agências de notícias são donas de uma capacidade de dar informações muito rapidamente, elas têm milhares de pessoas trabalhando em diversos locais, mas a interpretação desta notícia será feita pelo jornalista daqui”, ressalta.

Na opinião de Claudia, a segmentação rígida entre política e economia é um entrave para a qualidade do jornalismo internacional. “Há uma dificuldade muito grande de lidar e misturar economia e política, sempre fica uma lacuna por causa dessa separação, mas elas são uma unidade”, argumenta.

Já o trabalho dos correspondentes estrangeiros no país  foi elogiado por ela, que já passou pelas editorias internacionais da Folha de S. Paulo e do Jornal do Brasil. Ela contou como as matérias produzidas com esse olhar “de fora” influenciam a pauta daqui: “Há muitos correspondentes que fazem um bom trabalho. A reportagem da The Economist sobre o Brasil chamou a atenção da imprensa brasileira. Às vezes esse olhar do estrangeiro é bom, porque ele pode perceber algo que nós não enxergamos sobre nós”.

Como não podia deixar de ser, a difusão da internet e o novo modo de ler notícias também foi abordado pela jornalista, segundo a qual o noticiário em geral está muito raso, sem densidade, devido a essa concepção de que as pessoas não têm tempo de ler as notícias.

“Justo numa época de tantas possibilidades, com o advento da internet, tanta informação, os jornais são muito parecidos. A internet ofereceu, de fato, muitas possibilidades, mas elas não são aproveitadas”.

Claudia ainda comentou sobre a crise das publicações em papel e disse não ver razões econômicas para as redações estarem encolhendo tanto, já que há uma grande quantidade de investimento publicitário. “Há um descompasso entre esses enxugamentos recentes”, opinou.

Texto: Isabel Muniz (4º ano – Universidade Federal Fluminense)

Foto: Bruna Caldas (4º ano – Faculdades Integradas Hélio Alonso)

Serviço:

Cobertura internacional no Brasil: hora de construir uma agenda própria?

Com Claudia Antunes (revista Piauí/Brasil) – moderador: Leonel Aguiar/PUC-Rio (Brasil)

sábado, 12 de outubro de 2013 – 11:00

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