A corrupção em compras feitas pelo Estado é pública, dizem palestrantes

Palestra “Investigações sobre compras estatais”, realizada segunda (14). (Foto: Rodrigo Gomes)
A corrupção em compras feitas pelo Estado é pública, afirmou Nancy Vacaflor, do jornal Página Siete (Bolívia). O jornalista participou, nesta segunda (14), da mesa “Investigações sobre compras estatais”, que compôs a programação da Conferência Global de Jornalismo Investigativo, que ocorre desde o último sábado (12) na PUC-Rio, e segue até terça (15). “Com empenho e paciência é possível encontrar indícios e provas de desvios de conduta nas licitações, nos contratos e nos aditivos”, explicou Vacaflor. Nancy apresentou uma investigação sobre a compra de 16 barcas e dois rebocadores de uma empresa chinesa pelo governo boliviano.

Para König, qualidade do jornalismo investigativo brasileiro melhorou

Para Mauri König, diretor da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e repórter especial da Gazeta do Povo, nesta última década a qualidade do jornalismo investigativo brasileiro cresceu na América Latina. No showcase “as melhores investigações latinoamericanas da última década”, realizada domingo (13), na PUCRJ, o repórter destacou duas reportagens nacionais que ganharam especial destaque para ilustrar sua afirmação: “As Guerras Desconhecidas do Brasil”, de Leonêncio Nossa e Celso Junior, e a série “Diários Secretos”, de Karlos Kohlbach, Katia Brembatti, James Alberti e Gabriel Tabatcheik . “Essas são reportagens que eu gostaria de ter feito na minha vida. Grandes investigações como essas exigem muita paciência, pesquisa e tempo de dedicação”, afirmou König, na mesa que compôs o segundo dia de programação da Conferência Global de Jornalismo Investigativo, que acaba nesta terça (15). Publicada em 2010 pelo Estado de S.Paulo, a série de reportagens “As Guerras Desconhecidas do Brasil” acumulou diversas premiações importantes, como o Prêmio Latino-Americano de Jornalismo Investigativo e o Prêmio de Excelência Jornalística da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), entre outros.

Um olhar sensível para histórias extraordinárias

“Sem o movimento essencial do repórter não é possível fazer nenhuma reportagem”. Essa foi a expressão destacada por Eliane Brum ao longo de toda a sua palestra. Movimento que, para ela, significa a sensibilidade do olhar, de ver o outro e de se colocar no mundo e na vida que o rodeia. A palestra da jornalista, escritora e documentarista dividiu-se em mais duas partes além do movimento essencial: os principais estereótipos ligados à cobertura sobre a Amazônia e a construção da memória oral em contraposição à escrita. “A nossa força como repórter é justamente a consciência pela fragilidade da nossa posição”, disse, destacando em sua fala, mansa e convicta, que é possível notar a paixão e o zelo pela reportagem, bem como sua sensibilidade ao captar as nuances dessa profissão tão singular e das histórias que testemunha. Durante cerca de duas horas, Brum indicou caminhos e possibilidades para todos aqueles que se propõem a reportar os fatos de uma outra forma. Como costuma fazer em suas palestras, Brum leu – ou melhor, recitou – para um auditório lotado ferramentas cruciais à prática do repórter, e ressaltou a responsabilidade diante das histórias que nos propomos a contar. O olhar humilde, mas longe de ser imparcial, seria uma das ferramentas para evitar o que ela chama de anti-jornalismo.