Conferência Global de Jornalismo Investigativo termina com recorde de público no Rio de Janeiro

A 8ª Conferência Global de Jornalismo Investigativo, o 8º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e a 5ª Conferência Latinoamericana de Periodismo de Investigación formaram um único grande evento em 2013 no Rio de Janeiro, o maior até hoje sobre o tema. Foram cerca de 1300 pessoas de aproximadamente 60 países que participaram das mais de 150 atividades durante os quatro dias do encontro. *Veja o infográfico com o perfil dos palestrantes e participantes da GIJC. Até então, quase todas as conferências globais haviam sido realizadas na Europa, com a exceção de Toronto, no Canadá, em 2007. No encerramento do evento no Rio de Janeiro, Brant Houston, representante da Global Investigative Journalism Network, comemorou o sucesso do evento.

Reportagens investigativas recebem prêmios no Theatro Municipal

Não apenas de palestras, cursos e workshops foi feita a 8° Conferência Global de Jornalismo Investigativo. Também houve o momento onde os memoráveis trabalhos de investigação tiveram o devido reconhecimento. O local escolhido para abrigar, na noite desta segunda (14), a coroação das reportagens, foi o  Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A noite iniciou em grande estilo com a homenagem prestada pela Abraji ao jornalista Marco Sá Correa. O autor da reportagem premiada com menção honrosa do Esso em 1977, sobre os detalhes da Operação Brother Sam, foi prestigiado com um vídeo que contou com o depoimento de doze colegas de profissão, dando-nos a dimensão da importância deste jornalista na história da comunicação.

Jornalistas debatem cobertura das violações aos direitos humanos na América Latina

Colombianos afetados pelas guerrilhas, abusos sexuais praticados por um sacerdote na Argentina e massacre de civis na Guatemala. Cobrir este cenário de violação aos direitos humanos requer sensibilidade e atenção, qualidades que os jornalistas Luz Maria Sierra, da revista colombiana Semana, Ana Arana, da Fundación Mepi, e Daniel Enz, da revista Análisis, demonstraram ter de sobra ao apresentar os bastidores de suas reportagens na mesa “Investigações sobre direitos humanos”, realizada nesta segunda-feira (14) na Conferência Global de Jornalismo Investigativo. Marianella Balbi, Luz Maria Sierra e Daniel Enz
Segundo Luz Maria, há mais de 5 milhões de vítimas de guerrilhas na Colômbia. Esse dado consta em uma grande reportagem realizada pela equipe de profissionais da Semana, um trabalho que ficou conhecido como “Proyecto víctimas”. A ideia, nas palavras da jornalista, era explorar a plataforma multimídia, dando visão a um processo que durou mais de oito meses.

Diretora da IRE realiza treinamento sobre investigação através de análise de redes sociais

Quando se fala em análise de redes sociais, logo vem à mente Facebook, Twitter, Instagram e outras mídias digitais. Mas quando o assunto é investigação jornalística, o foco são os fundamentos por trás de conexões e relacionamentos entre pessoas. Este foi o tema da oficina “Análise de Redes Sociais para Investigações: usando o NodeXL no Excel para determinar influência e corrupção”, ministrada pela jornalista Jaimi Dowdell, diretora de treinamento da Investigative Reporters and Editors (IRE), realizada segunda (14), na PUC-Rio. Essa forma de análise exclui o que as pessoas dizem, suas opiniões ou suposições. “Trata-se apenas das conexões em si”, frisou Dowdell.

Como investigar fraudes nas áreas da saúde e da indústria farmacêutica

Ranbaxy:  medicamento para aidéticos adulterado
Ao longo de quatro anos, Katherine Eban, repórter da revista americana Fortune, investigou a adulteração dos remédios genéricos produzidos e prescritos não apenas nos Estados Unidos, mas também em diversos outros países como Brasil, Índia e Rússia. A extensa apuração da denúncia, feita por emails anônimos, levou à confirmação do que muitos já suspeitavam: no mundo todo, pacientes de doenças graves como câncer e Aids estavam sendo enganados por substâncias que não faziam o efeito que deveriam fazer. E pior: as agências de regulação dos países investigados não realizavam o controle da produção e da eficácia dos medicamentos como deveriam fiscalizar. A reportagem “Dirty Medicine” foi uma das apresentadas na mesa “Investigando pautas em saúde”, realizada nesta segunda (14), no terceiro dia da Conferência Global de Jornalismo Investigativo, na PUC-Rio, que também contou com a participação do jornalista venezuelano David González, do El Nacional e da nigeriana Rose Nwaebuni, do Pointer Newspaper. Segundo os jornalistas, para investigar denúncias na área de saúde é preciso persistência e preparo.

Motivos e dicas para escrever um livro sobre reportagem investigativa

Quando um jornalista se especializa na cobertura diária de uma determinada área não é raro ele se deparar com assuntos que rendam infinitos desdobramentos. Contudo, após algumas publicações sobre o tema, facilmente o fio condutor é perdido e se faz necessário uma grande retomada a favor da sequência dos fatos, o que às vezes não cabe em jornais impressos. Dessa forma, impulsionados pela vontade e a necessidade de se aprofundar no tema e contar grandes histórias, sem correr o risco de os leitores se perderem, a solução encontrada por muitos jornalistas é utilizar o livro como suporte. Mas como migrar da realidade narrativa e comercial jornalística para a editorial?  Durante a mesa Livro de Investigação, que ocorreu na tarde do segundo dia da Conferência Global de Jornalismo Investigativo 2013, os jornalistas Hugo Alconada, do La Nación argentino, Marianela Balbi, diretora do Instituto de Imprensa e Sociedade da Venezuela, e Jacinto Rodríguez Munguía, Revista Emeequis, México. Todos com livros desta categoria publicados, ainda sem tradução para o português, compartilharam um pouco de suas experiências e deram dicas para os jornalistas que se sentem motivados a escrever um livro, mas não sabem como ou não conhecem o processo.

Google Visualize: Mapeando e Visualizando dados

Saber trabalhar com bases de dados é um diferencial no currículo de jornalistas. No entanto, é preciso que os dados façam algum sentido através da visualização dessas informações. Durante mais um dia de oficinas da Conferência Global de Jornalismo Investigativo, alguns participantes tiveram a oportunidade de conhecer algumas ferramentas de visualização de dados que podem ser utilizadas on-line e gratuitamente. Guilherme dos Anjos, gerente de contas sênior do Google no Brasil, apresentou as ferramentas Google Maps Engine, Google Earth e Google Street View e mostrou exemplos de como o jornalismo pode usar mapas para contar histórias. “Uma das melhores experiências com mapas não é apenas olhá-lo, mas poder interagir com os dados e entender os acontecimentos”, afirma.

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Os desafios de seguir o dinheiro de grandes empresas

David Cay Johnston, presidente do IRE. Foto: Rafael Rezende
Investigar crimes financeiros é um dos trabalhos mais complexos do jornalismo. Os palestrantes da mesa “Investigando fraudes financeiras” contaram os bastidores de investigações jornalísticas e destacaram as dificuldades de apurar irregularidades na área econômica, especialmente quando elas envolvem grandes empresas, nesta segunda-feira (14), durante a 8ª Conferência Global de Jornalismo Investigativo. O jornalista David Cay Johnston, presidente do Investigative Reporters and Editors (IRE), deu dicas sobre como investigar crimes financeiros. Ele disse que é fundamental que o jornalista tenha noções de contabilidade.

Jornalistas lideram em solicitações à Lei de Acesso, aponta CGU

Jorge Hage Sobrinho apresenta o balanço do governo federal sobre a Lei de Acesso à Informação. Foto: Louise Rodrigues
Das 124.394 solicitações realizadas em 18 meses de Lei de Acesso à Informação (LAI), 5,15% são de jornalistas, que lideram o perfil de solicitantes, segundo Jorge Hage, chefe da Controladoria Geral da União (CGU). A porcentagem equivale a 6.187 pedidos feitos por profissionais da comunicação, resultando numa média de 343,7 demandas mensais à LAI. Os dados foram apresentados no painel “Lei de Acesso à Informação: balanço de 18 meses”, realizado, nesta segunda (14), na PUC-Rio. A conferência fez parte da programação da Conferência Global de Jornalismo Investigativo, que acaba terça (15). Em comparação aos demais solicitantes, os jornalistas também são os que mais recorrem: uma média de 6,5%. Dos mais de 6 mil pedidos feitos pela categoria, 88% tiveram acesso concedido, 9% negado e 3% duplicados, informações inexistentes ou de competências de outros órgãos.

Cobertura dos protestos de junho foi “bipolar”, avalia Bruno Paes Manso

Apesar de ainda não estar registrado nos livros de história, o mês de junho de 2013 já pode ser considerado um momento emblemático para o Brasil. As manifestações populares tomaram as ruas e surpreenderam o país, incluindo os jornalistas, por sua dimensão e descentralização das reivindicações. Envolvida nesse cenário enigmático, a imprensa se viu diante de um “campo minado”, o que resultou em uma cobertura marcada por mudanças de posicionamento na abordagem dos protestos. “Nós fomos  um pouco bipolares, estávamos assustados, era tudo novo. Depois, houve os ataques da polícia e a gente mudou.